"Mentira", Salvator Rosa




















I

Há muitas espécies de monstros, alguns bem reais. Gentinhas de aparência "normal" , ou talvez nem tanto; podres de chiques, podres de boas intenções, de falinhas mansas e tan podres de chorosas e cheirosas das desgraças do mundo ... mas, literalmente, bem podres por dentro, sobretudo na cabeça que, de tão putrefacta, já está quase oca. Aparecem sem aviso. Esguardae e atentae, que elas andam aí.

II

Pois que são gente de vida pequena, e tecem as dos outros como tricot apesar de não lhes conhecerem tamanho nem formato.Temem as felicidades alheias porque são o espelho da pequenez do seu mundo, aquele mundo estreito onde não cabe a imensidão de dar, ou a capacidade de receber . Já lhes caiu a máscara e não percebem que têm cara exposta já carcomida de tanta invenção, de tanta hipocrisia, tanta intriga. Andam por aí...pois andam, vestidos de agrura, a olhar aqueles que vivem. Deve ser triste estar morto e não se dar por isso.

(
Lizzie, abaixo, em comentário)




imagem: Salvator Rosa, Mentira (Menzogna, 1645-48)

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