clãs e capelinhas


Embora tenham organizações diferentes, a máfia siciliana toma o nome de camorra em Nápoles, cidade que está minada por ela e pelos seus clãs ou famílias. No fundo, no fundo, clãs ou famílias pouco se diferenciam do vetusto nome que se dá por cá às capelinhas. Elas estão por todo o lado, as capelinhas, como os monstros - os verdadeiros, de carne e osso, e não aqueles fantasiados pelos monstros-eles-próprios-mentes-humanas, para amedrontar o incauto e ingénuo ignorante de que as suas desventuras se devem ao sobrenatural e não a ele próprio, vizinho ou pretenso amigo e/ou amante, o que ama ou o que diz que ama, tal Brutus ameno perante César, Judas que beija Cristo, ou o indizível Iago, tão amigo de Othello! , bem lembrado pela madame Maigret.
Digladiam-se as capelinhas mas, persona non grata é, sobretudo, quem se recusa a ter capelinha. E quando isso acontece, quando a capelinha não consegue aliciar-te para "correligionário" ou "aliado", nem consegue abater-te, vinga-se através dos teus mais próximos. Tal e qual como entre as famílias mafiosas que, perante a incorrupção de um "inimigo", vão massacrar-lhe os pais, as mulheres, os amigos, os filhos. Boa ocasião para rever , entre outros, os Padrinhos de Coppola ou a pretérita, mas sempre actual, série O Polvo (La Piovra).